Declaração de Ética na Montanha

Conforme corrigida e aprovada no Porto em 10/10/2009    

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Estende os teus limites, levanta o teu espírito e almeja o topo!​

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1. Responsabilidade Individual.

Montanhistas e escaladores praticam estes desportos em situações de risco de acidentes e onde a ajuda exterior pode não estar disponível. Tendo isto em mente, eles empenham-se nestas iniciativas com alto risco individual e responsáveis pela sua própria segurança.
As ações destes indivíduos não podem pôr em risco aqueles em seu redor ou constituir danos para o ambiente. Por exemplo a fixação de ancoragens em novas rotas ou já existentes não pode ser automaticamente dada como aceite.    

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2. Espírito de Equipa.

Os membros de uma equipa devem estar preparados para fazer compromissos de modo a balancear as necessidades e competências de todo o grupo. A escalada será invariavelmente melhor sucedida quando os membros da equipa se apoiam e encorajam mutuamente.    


3. Comunidade da Escalada e do Montanhismo.

Toda a pessoa que se encontra na montanha numa face de rocha merece ser igualmente respeitada. Mesmo em locais remotos e situações de grande tensão devemos sempre tratar os outros como gostaríamos de ser tratados.

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4. Visitando países estrangeiros.

Quando somos convidados em países estrangeiros devemos sempre comportar-nos de modo educado e com contenção. Devemos mostrar respeito e consideração pelas pessoas locais e pela sua cultura – eles são os nossos anfitriões. Devemos respeitar os hábitos de escalada locais e o seu estilo e nunca fazer furos ou colocar parafusos onde existe uma regra ética contra tal prática na tradição do país ou onde não existem éticas estabelecidas localmente. Nós respeitaremos as montanhas sagradas e outros locais sagrados e sempre procuraremos formas de beneficiar e assistir as economias locais e as suas gentes. A compreensão da cultura estrangeira que visitamos faz parte de uma experiência completa de escalada.


5. Responsabilidade dos guias de montanha e outros líderes.

Os guias de montanha profissionais, outros líderes e membros dos grupos que lideram devem cada um deles compreender o seu papel no grupo, respeitar as liberdades individuais e os direitos de outros grupos e indivíduos. Nesta declaração nós reconhecemos os altos padrões alcançados na prática pelos corpos de guias profissionais de montanha.    


6. Emergências, iminência de morte e morte.

Devemos estar preparados para emergências e situações que resultam em acidentes sérios e em morte. Todos os participantes de desportos de montanha devem compreender claramente os riscos e perigos e a necessidade de se apetrecharem das necessárias competências, conhecimento e equipamento para as atividades em questão. Todos os participantes precisam de estar preparados para ajudar outros na sequência de uma emergência ou acidente e também de estar preparados para aceitar as consequências de uma tragédia. É esperado que os operadores comerciais em particular informem os seus clientes de que os seus objetivos poderão ter de ser sacrificados para assistir pessoas em apuros.     


7. Acesso e Conservação.

Acreditamos que a liberdade de acesso às montanhas e penhascos de uma forma responsável é um direito fundamental. Devemos sempre praticar as nossas atividades de uma forma ambientalmente conscienciosa e ser proativo na preservação da natureza e da paisagem. Devemos sempre respeitar as restrições de acesso quando existem e as regulações acordadas entre os escaladores e as autoridades e instituições de conservação da natureza.


8. Estilo.

A qualidade da experiência e como resolvemos os problemas é mais importante do que o sucesso da jornada. Devemos sempre lutar para não deixar vestígios na face da rocha ou no interior da montanha.


9. Primeiras ascensões.

A primeira ascensão a uma rota ou a uma montanha é um acto criativo. Deve ser completado de maneira pelo menos tão boa e adequada ao estilo e tradições da região. A forma como a escalada foi conseguida deve ser reportada com exatidão.


10. Patrocínios, promoção e relações públicas.

A cooperação entre patrocinadores e montanhistas deve ser uma relação profissional que sirva os melhores interesses do desporto de montanha. É da responsabilidade da comunidade de desportos de montanha educar e informar quer os meios de comunicação social quer o público de forma proativa.


11. O uso de oxigénio suplementar na montanha.

A utilização de oxigénio suplementar na alta montanha tem estado sob debate há já vários anos. Neste debate, diferentes aspetos relacionados com o tópico podem ser apreciados, tais como: aspetos médicos e considerações éticas. Os aspetos médicos devem ser de consideração primordial para todos os montanhistas. As considerações éticas devem ser deixadas à consideração individual do montanhista, desde que, se for o caso deste optar pela utilização suplementar de oxigénio, inclua no seu plano de atividade a remoção das garrafas da montanha.     


12. Expedições guiadas e comercialmente organizadas às altas altitudes.

É esperado que os operadores comerciais envolvidos nas expedições a grandes altitudes, almejando os 8.000 metros ou outros picos comparáveis, os quais oferecem limitadas capacidades de salvamento, reconheçam as limitações dos clientes ao seu cuidado. Todos os esforços devem ser feitos no sentido de assegurar a segurança destes clientes e o aviso aos mesmos de que os planos poderão ter de ser alterados e encurtados de modo a assistir outros montanhistas que se encontrem em situações de perigo.         



A UIAA é a Federação Internacional de Montanhismo e Escalada. Nós reunimos milhões de homens, mulheres e crianças unidos pela sua paixão pelas montanhas.


Traduzido da versão original por Célia Caciones/GEM. A declaração original pode ser vista e descarregada ​​​ aqui .
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