Algares do Cabeço dos Alecrineiros - Parte II

29 de Maio de 2016

Ribeiro, José 1,2; Lopes, Samuel 1,4; Rodrigues, Paulo 1,2,3​​

  1. Grupo de Espeleologia e Montanhismo, Rua Maria Veleda, 6, 7ª Esq, 2560-218, Amadora, Portugal  
  2. Núcleo dos Amigos das Lapas Grutas e Algares 
  3. Comissão Científica da Federação Portuguesa de Espeleologia, Estrada Calhariz de Benfica, 187,  1500-124 Lisboa
  4. Wind-CAM - Centro de Atividades de Montanha, Rua Eduardo Mondelane, lj44, 2835-116 Baixa da Banheira

Introdução

Este trabalho tem sido gratificante para todos os que nele têm participado, não só pelo aspeto espeleológico, mas também pela beleza natural da zona do cabeço dos Alecrineiros. A paisagem é dominada pelos chousos, há muito construídos pelos locais, com o intuito de divisão dos terrenos e de resguardo do gado. Se excetuarmos a localidade de Moita do Açor e de um outro raro abrigo de pastorícia, passamos os dias quase sem sinais de atividade humana ao nosso redor.

No planalto predomina a vegetação mediterrânica, sobretudo a rasteira, apesar de se começar a notar aqui e ali algumas plantações de eucaliptos, quem sabe em busca de mais algum rendimento, para as populações locais. Pelo meio da vegetação lá vamos procurando os algares, que ali abundam e vamos continuando o nosso trabalho, que muita alegria nos tem dado, sentimo-nos por vezes a renascer com a alegria de explorar o desconhecido, que para muitos já é conhecido mas para nós é sempre novo.

De seguida podem-se encontrar mais alguns resultados dos trabalhos realizados nos algares do cabeço dos Alecrineiros. A saber os algares da Estrada, Murete e Águia.
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Algar da Estrada

Desenvolvimento total: 7m, Desnível:5m. 

O algar tem dimensões reduzidas. A boca, estreita, dá acesso a um poço de 2m, onde descendo uma rampa se acede a um novo poço de 2m, no fundo do qual termina a gruta. 

O algar é um vadose shaft que aparenta desenvolver-se ao longo de uma fratura de direção aproximada W-E e inclinação subvertical.

Figura 1– Entrada do Algar da Estrada

Figura 2a – Perfil do Algar da Estrada ( veja aqui em PDF )

Figura 2b – Planta do Algar da Estrada ( veja aqui em PDF )


Algar do Murete

Desenvolvimento total: 6m, Desnível: 5m.

A gruta tem uma estrutura simples, é composta por um poço de 5m de profundidade. A partir do fundo do poço, após um ressalto de mais de 2m de altura, encontra-se uma pequena reentrância.

O algar é um vadose shaft que aparenta desenvolver-se ao longo de uma fratura de direção aproximada NW-SE e inclinação subvertical.

Figura 3 – Entrada do Algar do Murete

Figura 4a – Planta do Algar do Murete  ( veja aqui em PDF )

Figura 4b – Perfil do Algar do Murete  ( veja aqui em PDF )

Fotos do Algar do Murete por Florbela Silva e Bruno Pais​.


Algar da Águia

Desenvolvimento total: 81m, Desnível:16m. 

A cavidade é composta por um poço, em que a meia altura se encontra um patamar. Este dá acesso a um tramo que se desenvolva inicialmente para Norte e depois para Oeste. Este tramo tem grande beleza, com abundantes concreções.

No seu término encontra-se um poço, no fundo do qual estão ossadas de um carnívoro. O animal poderá ter caído por uma entrada, que se abriria no topo de uma chaminé, situada no topo do poço, que entretanto terá fechado.

Figura 5 – Entrada do Algar da Águia
O poço de entrada alarga-se na sua base. Para Norte dá acesso a uma rampa, coberta por um cone de dejeção. Para Sul chega-se a uma sala onde através de uma pequena escalada se atinge um patamar, com muitas formas de reconstrução que liga de novo ao poço de entrada.

Os vários poços da gruta terminam todos a uma profundidade semelhante (-16m). É também curioso que as concreções acabem abaixo dos 12m de profundidade.

O algar é um vadose shaft que aparenta desenvolver-se ao longo de famílias de fraturas de direção aproximada NW-SE, E-W e NE-SW.

Figura 6 – Ossadas de carnívoro

Figura 7– Dente do carnívoro

Figura 8a – Planta do Algar da Águia ( veja aqui em PDF )

Figura 8b – Perfil do Algar da Águia ( veja aqui em PDF )

Fotos do Algar da Águia por Samuel Lopes


Agradecimentos

Aproveitamos para expressar os nossos agradecimentos a Florbela Silva e Bruno Pais pela sua participação na realização destes trabalhos, sobretudo por aqueles que são realizados durante a semana.
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